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a pulga e o hábito

  • Foto do escritor: Marina Rosa
    Marina Rosa
  • 4 de dez. de 2020
  • 4 min de leitura

Atualizado: 5 de jan. de 2021

Basicamente, mas bem basicamente mesmo, o experimento foi a criação de uma conta na OLX e a publicação de anúncios com propostas não convencionais para o modelo padrão da plataforma de vendas e trocas.

Oferecemos nossos protótipos do início da atividade acadêmica de Experimentação em Design Estratégido (2020/2) e fomos registrando todo o andamento do experimento e reagindo a esta ou aquela 'resposta' da plataforma. (ver anúncios e suas histórias a, b e c)

Voltamos várias vezes à literatura base (Do sentir, Net-ativismo, Sentir em rede, Saberes Localizados) 0 para nos certificarmos de que estávamos 'no caminho certo', O que quer que isso queira dizer. Fizemos um esforço grande para compreender os conceitos de Ator-actante e nos percebermos nesse contexto de envolvimento com uma plataforma que se isenta de qualquer responsabilidade (e isso percebemos no momento da leitura das regras - estas com um sem fim de hiperlinks), mas ao mesmo tempo é o meio e reage às nossas manifestações.

Fizemos pesquisas (surveys) com nossos amigos para buscar entender o que pensavam da OLX. As perguntas foram bem abertas - propositadamente - e a colheita nos trouxe várias informações interessantes (e outras desencontradas, pelo modelo de perguntas abertas). A que nos chamou a atenção foi o uso da OLX como hobby.

Como esperado, tivemos poucas interações, mesmo tendo feito investimentos de impulsionamento. Refletimos muito sobre a necessidade de nos adequarmos à linguagem comercial da plataforma ou de nos afastarmos completamente dela. Nos anúncios do experimento podemos perceber vários formatos e tentativas mais comerciais ou mais poéticas, ou intermediárias.

Acabou que a plataforma nos ofereceu um comunicado deixando claro que não estava confortável com o anúncio do Victor, o que nos instou a redigir uma resposta (no melhor estilo Victor, com digressões e chamadas à reflexão).

Como o experimento continuará conosco, criamos um perfil no Instagram e temos a intensão de fazer postagens com excertos da carta-resposta à OLX e seguir observando a resposta deste outro meio digital de trocas (no caso um outro tipo de troca, mas cada vez mais uma plataforma de vendas também).

Fizemos várias considerações, também, sobre esse sentir em rede on-line e off-line e, teríamos gostado de fazer materiais analógicos para agregar ao processo todo (pensamos em fazer uma rede com linhas e elementos para evidenciar mais o quem percebemos com atores e actantes e, também, cartazes - de papel mesmo, se lembram do papel? do papelão? da cartolina? - com os mesmos anúncios, sem as limitações e pasteurizações dos campos oferecidos pela plataforma.

Consideramos os motivos de alguém vender na plataforma (a resposta mais óbvia é o alcance). Seria a vontade de não se expor? Mas esse não se expor também acrescenta uma série de riscos e de preocupações em montar um perfil que mostre credibilidade sem oferecer dados demais. Por que não anunciamos nas nossas comunidades? (que comunidades mesmo? de que grupo social e presencial fazemos parte? Tem quadro de avisos lá? Ignorem a pandemia, pois essa virou motivo fácil de qualquer não-tentativa. Pensem nas comunidades das quais fazemos parte e quais delas poderíamos vender nossas bugigangas. Será que nossas bugigangas falam mais de nós do que queremos tornar público em nossos círculos? Seria o 'anonimato' da OLX um atrativo extra e não-declarado? A pandemia não nos forjou antes de seu início. Muito já se falou sobre Rosa Parks e o fato de que ela participava de vários círculos, e foi essa rede que se indignou com a prisão dela. Qual a nossa rede? O que sentimos nessa rede? Por que estamos delegando a uma plataforma a oportunidade de interagir?

Nos incomodou muito a questão de oferecermos tantos elementos para que a plataforma nos indexe, nos torne alimento de algorítimos de Inteligência Artificial, e pense nos compreender, nos perceber, dentro do limitado contexto dela.

A interação com uma plataforma como essa, de trocas de mercadorias e serviços, nos leva a muitas outras trocas que não estão previstas (ou envidenciadas) na comunicação de uma 'interface neutra' (como a plataforma se auto-descreve). A possibilidade de usar o chat dela mesma ou oferecer o telefone para aquele formato antigo, de fala síncrona, ou através de aplicativos de mensagens de texto, abre todo um horizonte de possibilidades de vivências, de sentir, de sentir em rede.

Transformamos nossos registros em postagens em um blog (para representar a reticularidade percebida - se você clicou no link blog voltou para a home...kkk), tivemos muita dificuldade em desenhar diagramas com os atores-actantes, pois eles não cabem em diagramas. Criamos várias contas, em vários ambientes para a realização do experimento, e com isso deixamos várias 'pegadas', estamos consumindo vários recursos energéticos invisíveis para sustentar nossa reflexão. Será que vamos deixar todas essas pegadas? Devemos apagar? Ou farão parte da pretensa inesgotável memória da nuvem?

O experimento continua, a pulga atrás da orelha - nos virando a cabeça para enxergar diferente - vai continuar morando lá. Será que vamos dar um tapa para ela nos deixar em paz e matermos apenas a rede virtual? Ou será que faremos as pazes com ela e nos embrenharemos em redes 'reais' de relacionamentos. Mas se fizermos as pazes com ela; ela não nos incomodará mais. Será que teremos tido tempo de formar um novo hábito? As redes, é certo, sempre existiram. E continuarão a existir (com ou sem covid). Vamos só nos pousar nas redes que surgem? Ou vamos nos aperceber delas e escolher qual será nosso papel?

 
 
 

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